Terceira Terra

by Supercordas

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"Terceira Terra" é o terceiro álbum da banda Supercordas.

2015 © Balaclava Records

fb.com/Supercordas

credits

released October 2, 2015

Produzido por Supercordas e Gui Jesus Toledo.

Todas as canções arranjadas por Supercordas e escritas por Bonifrate, exceto “Espectralismo ou barbárie?” (Giraknob), “Colunas” (Gabriel Ares/Bonifrate), “Primeira Terra” e “Segunda Terra” (Bonifrate/Valentino).

Gravado e mixado por Gui Jesus Toledo e Diogo Valentino no Estúdio Canoa, São Paulo, em janeiro de 2015. Gravações adicionais em casa por Valentino (São Paulo), Bonifrate (Paraty) e Gabriel Ares (Rio de Janeiro).

Masterizado por Arthur Joly na Reco-master.

Arte: Wilson Júnior

Label Managers: Fernando Dotta e Rafael Farah (Balaclava Records)

Produção executiva e divulgação: Francine Ramos

Agradecimentos: Caca Amaral (Rumbo Reverso), Benke, Dinho, Ynaiã (Boogarins), Yury (Fire Friend), Simplicio Neto & Os Nefelibatas, Tim (O Terno), Edu (Quarto Negro), Digital Ameríndio & (American Bigfoot) Mouse Mouse Joe, Mancha, Fernanda Ratto, Iberê Rodrigues, Thalita Aguiar, Iris Franke, Aline Macedo, Julia Baptista, Katia Abreu, DW Ribatski, Giuliano Gerbasi, Raissa Nosralla, Shannon Garland, Maria Karam, Membi Triacca, Gabriel Peret, Tainá Nunes, Bruno Santana.

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Balaclava Records Sao Paulo, Brazil

Selo musical e produtora cultural de São Paulo, Brasil.

Record label and booking agency --> São Paulo, Brazil.

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Track Name: Fundação Roberto Marinho Blues & Co.
Fundação Roberto Marinho Blues & Co.

O trópico influxo
Do novo mundo
A tribo na rua

Som e fúria
O choque na esquina
Você na situação

Nossa corporação
Transa de tudo
Das armas aos muros

Monólogo em grupo
Discurso à bancada
Histérico e turvo
De ode à bandeira
Em honra à procriação
Cercamento dos campos!
Defensivos agrícolas!
Morte aos gentios!
E a nossa prensa faz
Da pólis, família
Da vida, televisão
Da história, alquimia
Do golpe, revolução!

A nossa fundação
É o futuro
Teu sangue, teu chão
Track Name: Sobre O Amor E Pedras
Sobre O Amor E Pedras

Ouvi, à sombra de uma cidade empedrada no coração,
O som da sorte, na boca sem dentes de um deus de pedra-sabão

Eu embarquei numa balsa de fundo falso
E acordei na restinga tonto e descalço
Do delta do Perequê
À fonte do Tietê
Eu desafinei a corda do cadafalso

Chamei o Coxo, no breu queimado da quebra do chapadão
Selei contrato, infinito que se adivinha na palma da mão

Eu me apaixonei na feira de Montes Claros
Uivando, e o corpo cheio de carrapatos
E quase morri de amor
Meu topázio furta-cor
Mas desencantei no banho de Santo Amaro

Línguas plutônicas no teu sorriso mudo
Orogenia dos meus desalmados rumos

Ó! Desaventurar os sertões em céu de anil
Eu troco essa turmalina por mais um trago
Virado em lugar nenhum
Vermelho de urucum
Prostrado na palafita esperando o rapto
Track Name: Maria³
Maria³

Ela acordou com o som da BR-040
E desembestou a falar sobre os anos 90

E das cores que ela viu da janela
E da sombra que fugiu pelas pernas
E agora quer ser dela de novo

Deslizou sobre o taco, tonta e nua
E feito canteiro de obras debaixo da lua
Curte guardar uma arte que não conhecemos
Quer andar cantando mais e tuitando menos

Talvez dar no pé daqui mundo afora
Largar sombras por aí, mas agora
Deixa, que é bom sangrar de novo

Maria canta e perde o cerne da tristeza
Mas deixa uma preza pra não se perder de si mesma

Maria, faz vento demais
Raiz de três
Perde outra vez o sono
Track Name: Colunas
Colunas

A terra fria de manhã
Conta, em prosa, como a noite aconteceu
Lá, dentro do tempo
Nas barricadas da mente
A gente se encontrou

Camaradas, o tempo enlouqueceu
Camaradas, não me digam que o sonho dissolveu

Camaradas, o espaço distorceu
Camaradas, não se grilem se o vermelho embranqueceu

Sobre as colunas de Havana
Quantos mares a gente enfrentou?
Com a chuva de maio
Essa utopia toda torta
O céu das multidões

Camaradas, o século encolheu
Camaradas, as ruas não cabem num museu
Track Name: Itinerarium Extaticum In Temporalibus
Itinerarium Extaticum In Temporalibus

Num plácido ralento
Eu viajei no tempo
Asa de marimbondo
Me voou por entre

As tontas teias do caminho
Um curto de hipóteses
E de asteroides
Potenciais acordes destrutivos

Um futuro em ramificações
O que faz valer o dia
Há de haver um coração aberto
Ao curso incerto do rio

Num córrego, vazante
Eu sigo sem instante
Giro de catavento
A ludibriar o tempo e seus espias

Um futuro em ramificações
O que faz valer o dia
Há de haver um coração alerta
Aos mistérios da energia

Há de haver um coração aberto
Ao curso incerto do rio
Track Name: Sinédoque, Mulher
Sinédoque, mulher

Em ti, guerras civis
Lancinantes, frias
Sem dor, passas por mim
Toda alegoria
E deusas de patins
Flamejando a pista
Das Malditas sem fim
‘Té romper o dia

E o mundo se abrir
Livre de pavões e quimeras
Livre de dons
E de todas as máquinas

Que eu não ligo
Mas eu não ligo mais
Eu só ligo você

Deixa o sol ruir
Ser é só vir a se tornar
Livre do cerco da história
Livre do circo do lar
Livre da farsa dessa metonímia

Que não te liga
Mas eu não ligo mais
Eu só ligo você

Mulheres evanescentes
Num furor do Sol
Sonho de Bréton
Fêmeas de cristal
Falso pedestal

Sinédoque inconsciente
A te alienar
O teu sexo e só
Não vai mais colar
Hora de acordar
Track Name: Ipupiara
Ipupiara

Ipupiara
Traz grão medo a toda gente
Há tempos se mostrara
Na vila de São Vicente

E os índios da terra só de o mirarem morrem de pavor
Metade monstro, metade sereia

É o Ipupiara
Vamos sair do rio

Demo encarnado para o velho jesuíta
Monstro marinho para Gândavo, o humanista
Trópica fauna para quem vê bem de perto
Pelo labirinto desses desencontros narrativos

Mas seus olhos deixam ver a dor, eu sei
Metade homem, metade baleia

É o Ipupiara
Vamos sair do rio

Algum monstro sempre houve que põe a tribo toda de pé
Não é o Ipupiara, é bicho homem de grossa fé
Track Name: Espectralismo ou Barbárie?
Espectralismo ou barbárie?

Numa revolução
Um anjo tem tesão por mim
Um deus alegre

O fim de um tempo
O todo implode em um momento
Sublime
O amor
Sublime

De frente a um furacão
Maior que o pai da criação
Tão leve
O amor
Tão leve
É o fim?
Não!
Track Name: Terceira Terra
Terceira Terra

Mba'éichapa!
Eu cheguei de ygaratá
Sigo as raízes dos rios
Ando desbelotado
Pela América do Sul
Contemplo os mares de Jaci
E as curvas de Iara
Que um bando atravessou
Cego da sede dos reis
E de um deus de cavalo
Seus efeitos morais
Soam sobre o Rio Maracanã
Como Tupã-beraba
No meio do toró
Entoando a queda do céu

Na segunda terra,
Invenção de Ñanderu
Nada se move sem atrito
A aldeia usurpada
Na fome do seu chão
Saiba que não passarão
Seus patrões, cacicados
Barões da plantação
Da nossa armada sem navios
E do deus que é neblina
Que se inala pra sonhar
Bruma de Jakhairá
E os profetas selvagens
Nas ruas a bradar
Música das nossas utopias

Mas há de vir um canto
Pelos ventos do devir
Ocaso de Karay
Rimado nas pedras
Do caminho de Sumé
Rastro de Tapé Porã
Num dia estrelado
Falado em Nheengatu
Rasgando o ar como um blues
Desdobrado em si mesmo
E em cada um de nós
Que sonham mundos descabidos
No poder da palavra
Ser aquilo que se é
Rumo à morada sem mal